O sonho do real

José Castello
Jornal O Globo. Rio de Janeiro, 28.06.2014

Somos todos iguais, somos todos diferentes. É desse fato sem nexo e, no entanto, verdadeiro, que Flávio Carneiro trata em “Devagar & Divagando”, bela narrativa infantil que acaba de sair pela Rocco, com ilustrações fortes de Flávio Fargas. Se fôssemos todos iguais, a vida seria pura monotonia e repetição. Se fôssemos absolutamente diferentes, viveríamos em um mundo incompreensível, isolados uns dos outros, imersos na mais aflitiva solidão. A vida é rica justamente porque somos iguais e diferentes ao mesmo tempo. Porque somos e não somos. A vida é rica porque é complexa, porque é uma grande complicação. Continuar lendo O sonho do real

A bola da vez

Wilson Coêlho
Jornal A Gazeta. Vitória, 07.06.2014.

“Sou grato a futebol por um certo ensinamento moral:
o leal cumprimento das regras do jogo, que são
observadas por todos sem questionamento”.
Albert Camus (escritor argelino, jogador e técnico de futebol)

O volume Passe de Letra – Futebol & literatura, de Flávio Carneiro, editado pela Rocco em 2009, é uma coletânea de crônicas que foram publicadas nos anos 2007 e 2008, na coluna homônima do jornalRascunho, de Curitiba. Continuar lendo A bola da vez

O Livro Roubado: entre o clássico e o popular

Maurício Melo Júnior
Jornal Rascunho. Curitiba, janeiro de 2014.

Um crime, um culpado, vários inocentes, pistas, contrapistas e um policial ou detetive a usar o cérebro ou a violência para sair ileso e vencedor de todo esse labirinto. Quase sempre com estes elementos básicos delineados por Edgar Allan Poe vem se construindo a história do romance policial clássico, por mitos como Agatha Christie, Dashiell Hammett, Patrícia Highsmith, P. D. James, Conan Doyle – uma longa lista, enfim.

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História policial que valoriza o gênero no Brasil

Renata Magdaleno
Jornal O Globo. Rio de Janeiro, 01.02.2014.

As principais pistas para desvendar O livro roubado, lançamento do escritor Flávio Carneiro, estão na própria capa. A primeira delas é o nome do autor. Flávio tem 15 livros publicados, entre romances, coletâneas de contos, crônicas e ensaios. É também professor de literatura da Uerj, com uma carreira longa de estudos na área e paixão pelos romances policiais. O livro roubado é o seu segundo romance do gênero que consagrou Arthur Conan Doyle. O leitor que percorre suas páginas entra numa história cercada de muitas outras histórias, referências que vão de autores clássicos como Edgard Allan Poe, o pai do policial dedutivo; o argentino Jorge Luís Borges, até o brasileiro Luiz Alfredo Garcia-Roza. Um livro que faz você se lembrar de como é bom um romance policial de qualidade e, ao mesmo tempo, uma verdadeira aula sobre o gênero.

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A multiplicidade de Flávio Carneiro

Beatriz Resende
Texto inédito, escrito especialmente para este site. Rio de Janeiro: 2014.

A primeira característica que poderíamos apontar na obra já consolidada do escritor Flávio Carneiro é a multiplicidade: de formatos, de público alvo, de tom. Unidos pela alta qualidade, pelo cuidadoso trato com linguagem e por uma sensibilidade que não teme se evidenciar, os textos de Flávio dirigem-se a vários leitores possíveis em possibilidades diversas. Mais ainda, o autor não teme o suporte escolhido ou o tema, o que faz com que não hesite em ser também cronista esportivo de jornal em Curitiba – o Rascunho – ou dedique-se a roteiros cinematográficos para longa e curta metragem.

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O livro roubado

Jurandir Renovato
Folha de São Paulo. São Paulo, 30.11.2013.

Troca de identidades sempre rende uma boa história. E Flávio Carneiro soube tirar proveito disso. André, um guia turístico no mínimo diferente, se faz passar por um detetive particular que lhe deve dinheiro.

Temos aí o princípio de uma trama policial que nos levará a conhecer os melhores botecos do Rio de Janeiro, incluindo seus cardápios e curiosidades, além de mulheres deslumbrantes e misteriosas. Continuar lendo O livro roubado

A Confissão, ou um vampiro carioca.

Vera Maria Tietzmann Silva.
Quatro ficcionistas goianos. Goiânia: Kelps, 2013.

O narrador não é o único vampiro, o próprio livro é um vampiro, nós o convidamos ao comprá-lo, somos seduzidos por ele (ele prende a nossa atenção) e sugados por ele (perdemos energia e tempo ao ler). E nós também somos vampiros, pois sugamos dos personagens as suas identidades (por diversas vezes nos sentimos como sendo […] ou querendo ser protagonistas da história)”.
(Juliana Ramos) Continuar lendo A Confissão, ou um vampiro carioca.

Experimento científico

Henrique Marques-Samyn
Jornal Rascunho. Curitiba, abril de 2012.

A Ilha é a terceira obra da trilogia romanesca de Flávio Carneiro, que se inicia com O campeonato(2002, reeditada em 2009) e prossegue com A confissão (2006). A trilogia constitui uma espécie de experiência literária, por meio da qual o escritor efetiva um diálogo com três vertentes ficcionais de inegável força na contemporaneidade: os gêneros policial e fantástico, no primeiro e segundo volumes, respectivamente; e a ficção científica, no livro mais recente. Desse modo, o tour de force literário é concluído com uma obra que, se não deixa de ser uma experiência literária, tem como assunto fulcral uma experiência científica; e que, para além disso, acaba por tratar deste tema fundamental que é a experiência humana. Continuar lendo Experimento científico

Paisagens cariocas num cenário de ficção científica

Sérgio de Sá
Jornal O Globo. Caderno Prosa & Verso. Rio de Janeiro, 10.03.2012

Com o romance A ilha, Flávio Carneiro completa a Trilogia do Rio de Janeiro. Depois de O campeonato(2002) e A confissão (2006), o escritor goiano radicado no Rio embarca numa ficção científica. Vem de um futuro primitivo o lugar do narrador, velho bibliotecário franciscano que tem o prazer de dar as mãos ao leitor em passeios por um pedaço de terra cercado de água por todos os lados, o de baixo inclusive. Continuar lendo Paisagens cariocas num cenário de ficção científica

Ilha da fantasia

Claudia Nina
Revista Seleções: Reader’s Digest. Rio de Janeiro, março de 2012

Confiar em romance é o mesmo que confiar nas ondas do mar. Quem diz isso não sou eu, mas assino embaixo.

A frase está no mais recente trabalho de Flávio Carneiro, que mergulha de cabeça na ficção científica, em uma aventura que tem cara de cinema e sabor de verdade fantástica – daquelas em que a gente se pega acreditando que aquilo seja capaz de acontecer.

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Jangada de areia

Roberto de Sousa Causo
www.terra.com.br São Paulo, janeiro de 2012

Com A Ilha, o escritor goiano Flávio Carneiro fecha a sua Trilogia do Rio de Janeiro, iniciada com A Confissão (que resenhamos aqui em 15 de dezembro de 2007), tendo como segundo volume O Campeonato, de 2002.

Um dos mais interessantes projetos da literatura brasileira da atualidade, a trilogia trabalha obras fronteiriças entre o mainstream literário nacional e a ficção popular de gênero: o primeiro livro se aproxima do horror sobrenatural, com uma história de um vampiro emocional carioca; o segundo dialoga com a ficção de crime; e, finalmente, A Ilha é uma ficção científica que evoca a nobre tradição da utopia.

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Bola, rede, palavras: uma leitura de Passe de Letra: futebol & literatura, de Flávio Carneiro

Ewerton de Freitas Ignácio
Anais do SILEL. Volume 2, Número 2. Uberlândia: EDUFU, 2011.

Resumo: Este trabalho tem por finalidade realizar uma leitura de parte do conjunto das crônicas futebolísticas contidas em Passe de letra: futebol & literatura (2009), de Flávio Carneiro, tentando evidenciar que, em seu texto, Carneiro une, de forma poética, memória, futebol e referências culturais e literárias. Levar-se-ão em conta, na leitura que se fará, tanto os procedimentos narrativos quanto os possíveis recursos intertextuais de que o autor lançou mão para melhor caracterizar o seu texto.

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Guia de Leitura

Luíz Horácio
Jornal Rascunho. Curitiba, agosto de 2010

Da fronteira entre o lirismo e o rigor crítico, surge O leitor fingido, trazendo, entre suas várias qualidades, uma que se destaca: ser fruto de quem faz da literatura uma prática e, ao mesmo tempo, um deleite. Um texto riquíssimo, denso, técnico – quando necessário – e terno. Porque a sensibilidade de Flávio Carneiro é o fio condutor de seus breves ensaios.

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Passe de Letra

Paula Cajaty
www.paulacajaty.com.br, 03/05/2010

Mulheres geralmente não compreendem a avidez masculina pelo futebol. Basta um gramado verde e uma bola rolando na tela da tevê, e eles ficam paralisados e surdos a qualquer outro ruído além da narração do jogo.

Recentemente, o maior desafio das moças recém-casadas e motivo de muitas consultas em consultórios de terapia de casais (e estou falando seríssimo) é o FIFA 2010. Vou explicar para quem ainda não foi apresentado à ‘nova praga’ do milênio.

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O leitor fingido

Cristhiano Aguiar
www.cristhianoaguiar.wordpress.com. São Paulo, junho de 2010.

Meu pai é cientista e um entusiasta de livros e artigos de divulgação científica. De fato, este tipo de publicação exerce um papel fundamental, pois se torna mediador entre o conhecimento produzido dentro das universidades e os interesses do público em geral.

De certo modo, no caso da minha área de atuação, sempre enxerguei a boa crítica literária como uma espécie de “divulgadora da literatura”. Claro, à crítica outras funções cabem, contudo sempre procuro estudar e debater textos literários tendo em mente este aspecto.

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A ficção policial de Flávio Carneiro

Gismair Martins Teixeira
Jornal O Popular, Caderno Magazine. Goiânia, 12.01.2010

Em A Linguagem Literária, o crítico Domício Proença Filho afirma que não há uma perspectiva correspondente à da gramática normativa em lingüística para o universo da criação literária. Sobre o ato criativo nesta arte, diz ele textualmente: “Seu único espaço de criação é a liberdade”. Lida de maneira apressada, a afirmativa pode até parecer banal. Mas quando se para para pensar nos incontáveis exemplos que podem ser pinçados no manancial infinito desta categoria artística, a assertiva de Proença Filho passa a fazer muito sentido. De fato, para a liberdade de criação praticamente não há limites. O Campeonato, romance policial do crítico literário, escritor e roteirista de cinema Flávio Carneiro configura um bom exemplo dessa possibilidade inesgotável.

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Jogo perigoso

José Castello
O Globo, Caderno Prosa & Verso. Rio de Janeiro, 28.11.2009

Há uma idéia do poeta e crítico espanhol Angel Crespo (1926-1995) que aprecio muito. Mais que isso: uma idéia que sempre me ajuda a viver. Diz Crespo, em um de seus ensaios: “Quando não tenho certeza da verdade, minto para me certificar”.

Os moralistas, ele dizia, só acreditam em três tipos de mentira: a dolosa, a jocosa e a piedosa. A primeira, a dolosa, se faz passar pela verdade. A jocosa quer, apenas, fazer rir. A mentira piedosa nada mais deseja que consolar. As três desprezam a verdade.

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Dono da bola: novo livro reúne crônicas sobre futebol

Rogério Borges
Jornal O Popular, Caderno Magazine. Goiânia, 17.11.2009

Se você não fosse escritor, seria o quê? Para Flávio Carneiro, esta pergunta é muito fácil de responder. Como demonstram as 21 crônicas do volume Passe de Letra, que o autor lança hoje em Goiânia, às 20 horas, na Fundação Jaime Câmara, seu destino poderia ter sido os gramados. “São textos sobre futebol que eu escrevi, mensalmente, durante dois anos, para o jornal Rascunho, de Curitiba, especializado em literatura”, explica o escritor, que nasceu em Goiânia em 1962, mas fez sua carreira no Rio de Janeiro.

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Futebol + literatura = paixão

Flávia Guerra
Jornal Diário da Manhã, Caderno DM Revista. Goiânia, 17.11.2009

Duas paixões antigas (e avassaladoras!) expressam com riqueza de detalhes em textos escritos ao longo de dois anos. Assim pode ser definido Passe de Letra, o novo livro do escritor, crítico literário, roteirista e professor Flávio Carneiro, goiano radicado no Rio de Janeiro, que utilizou a literatura para expressar seu amor pela arte do futebol, ainda o esporte mais popular do Brasil. A obra, que será lançada hoje em Goiânia, reúne crônicas publicadas no jornal Rascunho, de Curitiba, periódico especializado em literatura. Em 168 páginas, transforma passes, jogadas e dribles em experiências marcantes, histórias com enredo, personagens e narrador. Continuar lendo Futebol + literatura = paixão

Escritor goiano se inspira em obra de Rubem Fonseca

Carlos Herculano Lopes
Estado de Minas, Caderno Cultura. Belo Horizonte, 08.11.2009

Morando no Rio de Janeiro desde 1981, quando deixou Goiânia, o escritor, crítico literário e professor de literatura brasileira Flávio Carneiro gosta tanto da Cidade Maravilhosa que resolveu homenageá-la com uma trilogia – de gêneros diferentes. O primeiro livro da série, lançado em 2001, foi o romance policial O campeonato; em seguida veio A confissão, história fantástica. Agora ele está terminando o terceiro, A ilha, ficção científica que se passa num tempo indeterminado. Enquanto isso, aproveita para lançar a edição revista de O campeonato pela Editora Rocco (a primeira saiu pela Objetiva). 

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Entre a bola e a palavra

Henrique Marques-Samyn
Revista Speculum, www.speculum.art.br, 27.09.2009

Na crônica “O louco de Buenos Aires”, Flávio Carneiro descreve seu singular encontro com um patético torcedor do Boca Juniors que, uma vez por mês, vestia a camisa do arquirrival, o River Plate, e postava-se durante horas numa praça, em silêncio. El Loco, como era chamado, pacificamente permanecia, desde que não fosse provocado – o que poderia transformá-lo numa figura feroz, disposta a atacar (a pedradas!) o perturbador de seu incomum ritual. É possível entrever nesse louco uma alegoria para o tema de Passe de letra (Rocco, 2009), coletânea de crônicas que aborda menos o futebol como esporte do que a paixão pelo esporte britânico que veio encontrar, nos pés brasileiros, vários de seus maiores mestres; uma paixão que, de fato, não raro tangencia a loucura, e cujas múltiplas manifestações – a paixão por estar em campo, por assistir ao jogo, por torcer para um time – são registradas, com matizes literários, nos textos que constituem o volume. Obrigado, a certa altura da vida, a escolher a bola ou a palavra (ou seja: a optar por profissionalizar-se como jogador de futebol ou a investir na carreira de escritor), Flávio nem por isso deixou de cultivar as duas paixões; Passe de letra nasce precisamente dessa convergência.

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O belo do outro lado da vidraça – A confissão, de Flávio Carneiro

Lucas Magdiel
Fórum de Literatura Brasileira, UFRJ, Rio de Janeiro, 2008 – www.forumlitbras.letras.ufrj.br

Ao se deixar levar pelo que sugere o título do romance de Flávio Carneiro, é provável que o leitor desavisado suponha como alicerce da narrativa uma relação confitente-confessor. Assim, imaginará, segundo reza o sacramento cristão da penitência, o sujeito frente ao confessionário, pronto a declarar seus pecados ao sacerdote. Se assim o fizer, não se equivocará totalmente – a relação estabelecida é essa, de fato, mas a cena a ser imaginada é outra, atípica e, no mínimo, insólita, pois quem se confessa é um seqüestrador, e o confessor, sua vítima. O confessionário, um quarto num canto isolado do mundo, aresta do nada.

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Memórias de um Vampiro

Brasigóis Felício.
Revista Bula. Goiânia, 25.08.2008.

O personagem do romance A Confissão, de Flavio Carneiro, lembra em muito Raskolnikov, personagem de Crime e Castigo, bem como o narrador de Memórias de Um Homem do Subsolo, de F. Dostoiévski. Como Raskolnikov, o estudante assassino de Crime e Castigo, o personagem de A Confissão parece sofrer de um “excesso de consciência”, se é que a consciência possa ser excessiva. Mas sabemos: crimes coletivos como guerras de extermínio, holocausto e genocídio são cometidos em nome da boa consciência.

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A confissão

Paula Cajaty.
www.paulacajaty.com.br. Rio de Janeiro, 31.03.2008.

Flávio Carneiro, com a habilidade ímpar da prosa de sua Confissão nos leva a uma cadeira, nos amarra ao seu relato intenso e profundo e já não somos mais que confessores comovidos.

Sua personagem complexa e indecisa, um homem sedutor e denso, diferente dos outros, sem nome ou destino certo, precisa desesperadamente contar sua história e vai revelando seu segredo a uma interlocutora especial e sem voz, seqüestrada para ouvi-lo ininterruptamente até o fim.

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Vampiro de histórias

Roberto de Sousa Causo.
Terra Magazine. www.terra.com.br, 15.12.2007.

O crescimento, no Brasil, da literatura de horror com tema de vampiros é um dos fenômenos mais conspícuos da ficção especulativa tupiniquim, iniciado na década de 1990, mas alcançando o seu ápice agora. Os romances de Anne Rice, o RPG Vampiro: A Máscara (1991), de Mark Rein Hagan, e os livros do brasileiro André Vianco têm todos papel nesse boom, imagino, assim como as séries de TV Buffy (1997) e Angel (1999).

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Uma fantástica confissão

Aline Aimée.
Armadilha poética. www.armadilhapoetica.com.br, 06.12.2007.

O último romance de Flávio Carneiro, A Confissão, reúne alguns dos melhores artifícios literários dos chamados romances pós-utópicos. Tendo sido finalista do prêmio Jabuti de literatura, A confissão agrada tanto a um leitor mais refinado quanto ao grande público.

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A Matéria Futebolística dos Sonhos

Manuel da Costa Pinto
Folha de São Paulo. São Paulo, 16.05.2009

É comum apaixonados por literatura e futebol se queixarem de haver poucos romances relevantes sobre o esporte no país pentacampeão do mundo. Se isso é um fato, não significa que o futebol não tenha adquirido excelência na literatura brasileira. Sem patriotada, pode-se dizer que a melhor expressão do ludopédio (termo pomposo ironizado por Carlos Drummond de Andrade em “A Língua e o Fato”) está na crônica, mais genuinamente brasileiro dos gêneros literários.

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Gol de letra

Elieser Cesar
www.eliesercesar.wordpress.com, 28.04.2009

Quem pensa que entre o futebol e a literatura existe a mesma distância abismal que separa o campeão do lanterninha do Campeonato Brasileiro (só para pisar nos nossos gramados), deve ler o livro Passe de Letra – Futebol e Literatura , do escritor goiano Flávio Carneiro.

Com a polivalência de quem chuta com os dois pés, na ficção e no esporte mais popular do planeta, o autor, que só não se profissionalizou no futebol porque a musa extra-campo falou mais alto, reúne no livro um plantel de crônicas escritas entre 2007 e 2008, para o jornal de literatura Rascunho, de Curitiba. Com isso, se junta a um time que fez a boa tabelinha entre a bola e o livro, que inclui craques da estirpe de Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campos, Armando Nogueira e – para muitos leigos na alquimia entre as redes e as palavras – Albert Camus.

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A arte de bater um escanteio

Alvaro Costa e Silva
Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 25.04.2009

A páginas tantas de Passe de letra, Flávio Carneiro chuta com efeito: “Um jogo é uma ficção fantástica. Talvez algum dia alguém venha a descobrir – a despeito de qualquer coerência histórica – que o futebol foi uma invenção de Hoffman, Maupassant, Calvino, Cortázar ou algum outro contador de histórias que giram em torno do sobrenatural”. Pode ser. Que hay brujas, las hay. Mas deixemos a última palavra com o Sobrenatural de Almeida.

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A distância das coisas

Gustavo Bernardo
Texto escrito especialmente para este site. Rio de Janeiro, junho de 2008.

O novo romance de Flávio Carneiro, A distância das coisas, Prêmio Barco a Vapor de Literatura Juvenil de 2007 e recentemente publicado pelas Edições SM, pode ser dirigido para adolescentes, mas certamente agrada muito a um adulto. Como já disse antes a propósito de outro livro do próprio Flávio: o melhor livro para jovens é aquele com que o não tão jovem também se empolga.

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Contador de histórias

Flávio Paranhos.
O Popular. Goiânia, 27.02.2007.

Nas últimas férias eu me impus uma disciplina diferente da que estou acostumado. Comprei e li apenas autores de ficção nacionais contemporâneos, dando preferência àqueles dos quais nada tinha lido. Não vou entrar em detalhes, mas revelo que foram muitos e, pra minha grata surpresa, gostei de todos. Alguns mais, alguns menos, mas todos me agradaram.

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Ignorância e imortalidade

Sérgio de Sá.
Correio Brasiliense. Brasília, 27.01.2007.

Ao escrever um romance sobre a memória, Flávio Carneiro fez também uma profissão de fé na arte de contar histórias. A confissão é o monólogo de um seqüestrador atípico que clama por atenção. Não há um resgate monetário em jogo. A seqüestrada e, conseqüentemente, o leitor só tomam conhecimento da demanda ao final da narrativa. E, nesse ponto, o pagamento já terá sido feito pelo próprio seqüestrador de maneira paradoxal: uma ficção sedutora, um texto que devolve em convincente narrativa as experiências de ida e morte do narrador sem-nome.

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A confissão de um vampiro

Luiz Ruffato.
Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 25.11.2006.

O ensaísta, roteirista e escritor Flávio Carneiro acaba de lançar um romance que, de certa maneira, caminha na contramão da atual opção da literatura brasileira pelo hype-realismo (prefiro inventar esse termo para contrapô-lo ao batido neonaturalismo, que acredito anacrônico para descrever o nosso atual estado de coisas). Ao desleixo da linguagem – um rebaixamento perigoso, por populista – Carneiro prefere um texto limpo, mas complexo. À imitar a realidade, escolhe correr riscos e construir uma metáfora. Enriquece, assim, o panorama da ficção contemporânea e alarga o horizonte dos leitores ávidos em tentar compreender a nossa sociedade.

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Diálogos intensos entre autor e leitor

Luíz Horácio.
O Globo. Rio de Janeiro, 19.11.2006.

O Assalto é o título de um conto do Moçambicano Mia Couto.É a história de um velho que assalta um homem, à mão armada, com o fim único e exclusivo de conversar. Estabelecida uma pretensa familiaridade, a vítima avisa que no dia seguinte tornarão a se encontrar e que o velho não precisará mais assaltá-lo. E este responde: ” Não faça isso.Me deixe assaltar o senhor. Assim me dá mais gosto.”

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Entre lucidez e loucura

Carlos Herculano Lopes
in: Estado de Minas, Caderno Cultura. Belo Horizonte, 07.09.2006.

Goiano de nascimento, no Rio desde o início da década de 1980 e atualmente morando em Teresópolis, Flávio Carneiro chega ao segundo romance, A Confissão. No livro, dá mostras de maturidade e domínio na forma de narrar. Escrita na primeira pessoa, a trama gira em torno de um homem atormentado, que seqüestra uma mulher e a leva para uma praia distante, onde passa a lhe contar sua história. Ao mesmo tempo, ele faz insólita viagem interior, como numa catarse, demonstrando que já não tinha domínio sobre si nem podia adiar o desabafo.

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O craque inventa o escritor

Por Eliana Yunes
Jornal do Brasil, 10/06/2006

Não creio que seja raridade o fato de escritores talentosos se debruçarem sobre temas tidos como menos nobres, embora ainda se perceba o velho preconceito que separa áreas dos saber aparentemente díspares: falar de esporte e cultura, de futebol e arte pode parecer a muitos algo indevido. No entanto, podemos falar numa seleção de craques, escritores bons de bola que têm colaborado para que a paixão nacional seja valorizada no que ela tem de imaginário, trazendo para o cotidiano das massas uma reflexão também estética. Continuar lendo O craque inventa o escritor

Ilusionismo verbal em O Campeonato

Por Vera Lúcia Follain Figueiredo
Texto inédito, lido no seminário Perspectivas da Literatura Brasileira, hoje, ocorrido em 2004, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Um número muito grande de narrativas policiais vem marcando o panorama literário e o cinematográfico ao longo das duas últimas décadas. Deste quadro, pode-se destacar uma vertente que retoma o subgênero para ajustá-lo às grandes inquietações que caracterizam o mundo contemporâneo – a trama, girando em torno de crimes variados, está a serviço da reflexão sobre o extremo ceticismo epistemológico, responsável pela desqualificação do real e pela perda de referenciais na cultura pós-moderna. A convenção do romance policial é, então, resgatada para que se fale de impossibilidades – a começar pela impossibilidade de levá-la a sério, de seguir à risca as regras que lhe seriam inerentes. Continuar lendo Ilusionismo verbal em O Campeonato

O Marco de Flávio Carneiro

Por Márcio Vassalo
www.bmsr.com.br, site da agente literária Lúcia Riff, novembro de 2003

Flávio Carneiro acaba de lançar O livro de Marco, pela editora Global, na coleção Aventura Radical. Com ilustrações de Avelino Guedes e um texto de dar viagem no pensamento, o livro mostra o percurso de um garoto em busca da sua própria identidade. Flávio conta como nasceu a idéia. “A primeira versão desse livro surgiu durante um curso com a Marina Colasanti, no mestrado da PUC. Havia, na época, um projeto de convidar escritores pra darem um curso na pós-graduação sobre suas obras. O trabalho final poderia ser uma obra de ficção e então me veio a idéia de contar as aventuras de um menino pelo mundo, à procura de estrelas cadentes.”

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Uma boa jogada literária

Beatriz Resende
Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 19.10.2002

A sóbria aparência do último livro de Flávio Carneiro, O campeonato, , quase pomposo, contrasta, de saída, com a referência que vem abaixo do título: romance policial. Ora bolas, romance policial deve ter cara de romance policial, peso (leve) de romance policial, dimensão (reduzida) de romance policial. Romance policial deve ser feito para poder te acompanhar, seguir na condução, ficar debaixo da carteira, até mesmo ir ao banheiro com você, se urgente for.

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Dos muitos perigos de se ler ficção

Por Vera Lúcia Follain de Figueiredo
O Globo. Rio de Janeiro, 31.08.2002

É curioso como o romance, desde seu nascimento, alimenta-se de uma grande contradição: não se cansa de alertar o leitor para os riscos que se corre ao ler ou escrever ficção, fazendo uma espécie de autodenúncia ao chamar a atenção para os malefícios que ele próprio pode causar. Assim, ao hábito de ler romances de cavalaria, se atribui todo o infortúnio de Dom Quixote, como a desgraça de Madame Bovary decorre do fato de se deixar envolver pelos sonhos da ficção romântica. Esta mesma literatura teve também sua contribuição para o triste fim de Policarpo Quaresma e lembremos, ainda, que, por ser autor de narrativas policiais, o personagem Quinn, de Paul Auster, acaba por viver as mais insólitas situações.

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Defesa do ensaio

Por Denilson Lopes
Correio Brasiliense. Brasília, 16.02.2001

Quando está em curso na universidade brasileira um processo geral de profissionalização, visível no crescente aparato de avaliações institucionais, de captação de recursos e adesão ao mercado, há certos saberes que se vêem cada vez mais à margem, por se colocar de forma problemática dentro do ritmo industrial.

Em meio ao surto quantitativo de números de artigos publicados e idas a congressos, a experiência do saber, ou melhor, o saber vivenciado parece ser o que menos interessa. São necessários métodos e metodologias, normas, fórmulas e slogans.

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A escrita como busca na fronteira entre ensaio e ficção

Por Luciano Trigo
O Globo. Rio de Janeiro, 09.06.2001

Em Entre o cristal e a chama, Flávio Carneiro mapeia e analisa uma seleção de “personagens-leitores”, criados por um heterogêneo leque de ficcionistas, que vai de Machado de Assis a Clarice Lispector e Rubem Fonseca, de Edgar Allan Poe e Italo Calvino e Paul Auster. Ele próprio um ficcionista – é autor de Da matriz ao beco e depois – Flávio alia ao rigor acadêmico (trata-se, originalmente, de uma tese de doutorado) a inventividade e a inspiração poética em suas interpretações. O resultado é um ensaio que vale tanto pelo valor teórico de suas teses sobre a leitura quanto pelo puro prazer do texto.

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Universidades de éxito

Por Juan Arias
El país. Madrid, 30 de junho de 2001

Um nuevo rival editorial há nacido en Brasil. Las grandes universidades del país han decidido salir de su entorno para conquistar lectores y han puesto a pensar al sector editorial. Ahora se afianzan como un fenómeno editorial y cultural. Las universidades se dieran cuenta de que estaban desaprovechando – com publicaciones dirigidas sólo a expertos y estudiantes – materiales preciosos que bien podían llegar, com un lenguage y uma presentación tipográfica diferente, al gran público. Dicho y hecho. De la noche a la mañana se conviertieron em editoriales modernas con todos los criterios de empresa y marketing. Y el éxito há sido rotundo. Así se pudo comprobar em la pasada Bienal del Libro del Río em mayo, que sirvió de gran escaparate de presentación, donde las universidades brasileñas tuvieron el pabellón más grande y uno de los más visitados.

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O leitor e a Casa das Letras

Por Renato Cordeiro Gomes
Revista Alceu, nº 3. Rio de Janeiro: PUC, segundo semestre de 2001

Ao deixar para as gerações de 2000 “as seis propostas” como herança do milênio, que há pouco fechou para balanço, o escritor italiano Italo Calvino oferta a “exatidão” como um bem, entre outros – leveza, rapidez, visibilidade, multiplicidade, consistência – que seriam “valores ou qualidades que só a literatura com seus meios específicos” poderia nos dar.

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A inquietação em vocábulos adequados

Por Miriam Gárate
Revista Saber, nº 4. São Paulo: Edusp/Fapesp, setembro de 2001

Ente o cristal e a chama no subtítulo o que numa primeira instância o título de capa, deliberadamente ou não, vela aos olhos de quem se depara com o texto: o objeto de reflexão delimitado por Carneiro (a leitura); a estratégia escolhida para abordá-lo (o ensaio praticado em torno a um corpus de obras ficcionais que tematizam esse objeto em sua diversidade). Mas antes de percorrer os Ensaios sobre o leitor invocados no subtítulo somos convidados a trilhar um longo prefácio que objetiva munir-nos de uma bússola teórica. Marcando o norte, a idéia de um vínculo indissolúvel entre leitura e escrita, idéia que Carneiro se propõe historiar sumariamente no contexto das teorias literárias contemporâneas, bem como explorar quanto a suas consequências e eventuais limites.

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Da Matriz ao Beco e Depois

Por Maria Fernanda de Souza Oliveira
www.klickescritores.com.br, dezembro de 2000 

Um romance policial ou um livro de contos? Ou, ainda, a construção “policial” da narrativa? A resposta depende do gosto do leitor: ingênuo, arguto, teórico, obsessivo.

Da matriz ao beco e depois, de Flávio Carneiro, se organiza da seguinte maneira: dez contos que podem ser lidos em separado, cujas histórias se articulam perfeitamente, seja porque formam seja porque, não formando, engendram em nós a idéia de um todo. São passadas no Rio de Janeiro, entre o centro da cidade e a Praça da Bandeira, mais precisamente entre uma imaginária Rua da Matriz e o beco de mesmo nome.

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Perguntas secretas de uma menina

Por Eliana Yunes
Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 11.11.2000

Quando se escreve por ofício, os textos, mesmos os de singela aparência, guardam extraordinárias provocações. É o caso de Lalande, de Flávio Carneiro, que, professor de literatura e escritor já premiado com o livro de contos Da matriz ao beco e depois (Rocco), ronda as leituras e as cidades com diligente cuidado, a exemplo de seu mestre Calvino.

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Tudo é importante

Por Gustavo Bernardo
www.klickescritores.com.br, dezembro de 2000 

Abro a resenha de Lalande, novela de Flávio Carneiro, com a seguinte afirmação: o melhor livro para crianças é aquele com que o adulto se empolga.

Admito, a afirmação é um pouco drástica, sugerindo recusa do ponto de vista da criança em favor do ponto de vista do adulto – ou, pior ainda, do ponto de vista de um crítico-professor. Entretanto, refuto esta réplica que eu mesmo estou me fazendo, lembrando que criança não é uma “coisa” e adulto outra. Machado de Assis já nos disse que o menino é o pai do homem e Freud depois desenvolveu essa idéia, apontando para o menino e a menina que nunca morrem dentro do homem e da mulher – não apenas não morrem como continuam definindo seus objetivos, seus gestos e seu destino. O tal do inconsciente jamais deixa de ser criança, o que significa que jamais deixa de ser inocente e perverso ao mesmo tempo.

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Para aprender a ler

Entrevista concedida a Ana Cláudia Rocha, do jornal O Popular (Goiânia), setembro de 2014

A 2ª Jornada Literária Sesc Goiás, que vai de amanhã a domingo, discutirá o acesso à literatura. Os debates contarão com a participação do escritor Flávio Carneiro. Nascido em Goiânia em 1962, Flávio se encantou com o Rio de Janeiro, para onde se mudou aos 19 anos e onde se formou em Letras, abandonando a paixão pelo futebol (ele foi jogador profissional). Atualmente, com 16 livros publicados, é professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Antes de embarcar para sua terra natal, Flávio falou desse estímulo à leitura.

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Devagar & Divagando

Entrevista concedida a Cíntia Borges, do site da Editora Rocco (Rio), julho de 2014

1 – Flávio, em seu trabalho de criação, a ideia surge rápida como a espontaneidade de uma criança, devagar como os passos de uma tartaruga, ou é preciso ruminar muito tempo antes de pôr as palavras ou os desenhos no papel?
A ideia de uma história costuma surgir do nada – ou a gente pensa que é do nada -, de repente, quando menos se espera. Mas é só a ideia, a semente da história. A história mesmo, inteira, demora a tomar corpo. E colocá-la no papel é um processo mais lento ainda, que requer muitas páginas jogadas fora. É um trabalho meticuloso, de reescrever mais do que escrever, de cortar e acrescentar, até que o texto final me agrade enquanto leitor. Só mando para a editora a história que eu, como leitor, gostaria de ler. Por isso o teste final é esse, o de responder “sim” à pergunta que faço, com meu próprio texto nas mãos: eu gostaria de ler isso, se fosse de outro autor?

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Literatura & Futebol

Entrevista concedida a Manoella Barbosa, para o Goethe Institut (São Paulo), fevereiro de 2014.

1) Flávio, comecemos com um poema de Carlos Drummond de Andrade:
“Futebol se joga no estádio? Futebol se joga na praia, futebol se joga na rua, futebol se joga na alma”
Você concorda com ele? Até que ponto e por qual razão?
Um dos motivos de o futebol ser um esporte tão popular, não só no Brasil mas mundo afora, é que ele pode ser jogado em qualquer lugar. Até em saguão de aeroporto já vi gente jogando bola, pelo menos até a hora de o segurança acabar com a brincadeira. E o terreno nem precisa ser plano, pode ser uma ladeira, uma calçada torta, uma subida de morro. Além disso, não é necessário nenhum material esportivo especial, joga-se com a roupa do corpo, descalço mesmo. Aliás, nem de bola você precisa! Quer dizer, bola de verdade, pode ser uma tampinha de garrafa, um pedaço de papel embolado. E, claro, jogando desse jeito, em qualquer lugar, em qualquer tempo – uma das melhores lembranças que tenho da infância é a de jogar bola na chuva – o futebol vai se estender para outros campos, invadindo a alma das pessoas.

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Bastidores de um romance policial

Publicado no Jornal Cândido (Curitiba), janeiro de 2012
Depoimento sobre o processo de criação do romance policial O Campeonato

Todo detetive é um leitor. O primeiro detetive de que se tem notícia na história da ficção policial, Dupin, criado por Poe em “Assassinatos da rua Morgue”, decifra o mistério aparentemente indecifrável lendo as notícias sobre os assassinatos publicadas nos jornais, e também, claro, lendo os signos não escritos – porque, como todo leitor, um detetive não lê apenas palavras.
Quando me veio a ideia de escrever um romance policial, a primeira coisa que pensei foi: vou criar um detetive que goste de ler. Não um leitor comum, imaginei algo mais radical – um leitor viciado em leitura. E viciado em leitura de romances policiais. Assim surgiu o narrador de O Campeonato, André, e o seu vício maldito, que o leva a perder um emprego atrás do outro, o último deles numa biblioteca (foi pego algumas vezes lendo escondido num canto qualquer, enquanto os usuários aguardavam atendimento).

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Entrevista com Flávio Carneiro

Jornal O Popular (Goiânia), 15/12/2011
Entrevista concedida a Ana Cláudia Rocha

A Ilha é uma ficção científica que encerra uma trilogia sobre o Rio de Janeiro. Por que o Rio de Janeiro?

Há uma razão afetiva e uma razão literária para ter escolhido o Rio. Cheguei com 18 anos, no início dos anos 1980, e encontrei uma cidade fascinante e acolhedora, mesmo com seus problemas. No Rio fiz amigos que estão ao meu lado até hoje, construí minha carreira, de professor e escritor, é portanto uma cidade decisiva na minha vida. E literariamente é uma cidade muito rica, com um repertório de histórias inesgotável, as do passado, recontadas em cada esquina, e as que se constroem a cada instante. O Rio é a cidade dos signos. Toda cidade é, mas nesta parece que isso é mais forte, talvez pela própria geografia, toda recortada e juntando mar e montanhas, ou pelo fato de receber pessoas de todos os lugares do mundo, ou ainda por ter sido ali que nasceu nossa ficção, com Machado, Alencar, Aluísio, cujas histórias você pode encontrar ainda, caminhando pela cidade.

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Quem escreve deve ter paciência

Jornal Pernambuco, novembro de 2010
Entrevista concedida a Cristhiano Aguiar.

Flávio, o que levou você a escrever o Leitor fingido? Você acha que a figura do “leitor” continua em segundo plano nas reflexões literárias?
Sempre achei que o ofício de escritor está diretamente relacionado a uma experiência de leitura. Não acredito em escritor que não lê. Nesse livro, quis falar um pouco disso, dessa dupla face da literatura: o escritor e o leitor.
As reflexões sobre a figura do leitor já foram mais escassas. Desde os anos 1970, na Alemanha, nos EUA e mais recentemente no Brasil esse quadro vem mudando e hoje já se pode falar em linhas de pesquisa consistentes sobre o tema da leitura. Mas acho que ainda pode melhorar, o leitor é parte fundamental da literatura e merece mais atenção por parte dos pesquisadores da área.

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A importância do leitor

Revista Conhecimento Prático: Literatura, nº 32, outubro 2010
Entrevista concedida a Rafael Rodrigues.

De que adianta que um livro seja escrito e publicado se não houver leitores? A trajetória de uma obra só se completa quando ela é lida. No entanto, há quem não se importe com os leitores. Na tentativa de corrigir essa injustiça, o escritor e crítico literário Flávio Carneiro faz do leitor o protagonista de seu mais recente livro, O leitor fingido, editado pela Rocco. Goiano de nascimento e carioca por opção, vivendo no Rio de Janeiro desde a década de 1980, o autor vem publicando de maneira sistemática suas obras de ficção e também as não-fictícias. Entre seus escritos de maior destaque estão os romances O Campeonato e A Confissão, o volume de ensaios No país do presente: ficção brasileira no início do século XXI e o livro de crônicas Passe de letra – Futebol e Literatura, uma coletânea de textos originalmente publicados no jornal Rascunho, de Curitiba. Na entrevista a seguir, Flávio Carneiro fala sobre a literatura e seus leitores.

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As possíveis relações entre escrever e ler

Jornal O Regional, 19/09/2010.
Entrevista concedida a Érica Bernardes.

Você costuma dizer que ler, assim como escrever, é uma arte. Como funciona isso? Existem artistas amadores, nesse sentido?
Ler é uma arte sim, embora diferente da arte de escrever. O produto final do artista escritor é o livro, é algo concreto, material. O produto final do artista leitor é a leitura, a interpretação do texto, ou seja, algo abstrato. Em ambos os casos, tanto na escrita quanto na leitura, é fundamental ter muita imaginação. E há, claro, artistas amadores quando se fala de leitura. É a maioria, aliás, aquele leitor que lê por prazer. E há os leitores profissionais, como o professor de literatura, por exemplo, ou o crítico literário.

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O leitor fingido

Jornal O Popular (Goiânia), 25/04/2010
Entrevista concedida a Rogerio Borges

O poeta é um fingidor. O leitor também?
Sim. Quando Fernando Pessoa, no poema já famoso, associa o poeta ao fingidor, está se referindo à capacidade do poeta de imaginar sobre o que é real (chega a fingir que é dor a dor que deveras sente), quer dizer, de lidar com o artifício (a arte) e ao mesmo tempo com a vida de cada dia. O leitor também vive nesse entrelugar, quando lê é levado a imaginar e muitas vezes a viver de novo – sempre de um modo diferente – coisas que já viveu e que agora retornam, pela mágica da literatura.

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Tentar o gol de cabeça

Jornal do Brasil, 25/04/2009.
Entrevista concedida a Alvaro Costa e Silva.

Neste bate-papo de arquibancada, suscitado pelo seu livro Passe de letra – que terá noite de autógrafos quarta-feira, a partir das 19h, na livraria Prefácio, em Botafogo – Flávio Carneiro fala de questões ligadas à literatura e ao futebol.

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Flávio Carneiro, o ponta direita que virou escritor

www.oglobo.com.br/blogs/prosa, 20/04/2009.
Entrevista concedida a Miguel Conde.

Antes de ser escritor, Flávio Carneiro era um promissor ponta direita. Aos 11 anos já jogava pelas divisões de base de clubes goianos, e aos 17 recebeu uma oferta de trabalho no Guarani de Campinas, que acabara de vencer o campeonato brasileiro.
A carreira esportiva parecia encaminhada, mas Carneiro resolveu apostar num caminho incerto: veio para o Rio de Janeiro estudar literatura, com a ambição de um dia virar escritor. Como exceção de um conto e um roteiro de curta-metragem, os dois jogos (da palavra e da bola) ficaram separados na sua vida, até 2007, quando ele começou a escrever crônicas mensais para o suplemento paranaense “Rascunho”.
Nelas, recuperou experiências de jogador e de torcedor, e arriscou analogias entre futebol e literatura ao identificar o lirismo do futebol de Garrincha, o humor de Dadá, e o épico em Pelé. Os textos foram reunidos no livro “Passe de letra – futebol & literatura” (Rocco), que acaba de ser lançado.

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