Para aprender a ler

Entrevista concedida a Ana Cláudia Rocha, do jornal O Popular (Goiânia), setembro de 2014

A 2ª Jornada Literária Sesc Goiás, que vai de amanhã a domingo, discutirá o acesso à literatura. Os debates contarão com a participação do escritor Flávio Carneiro. Nascido em Goiânia em 1962, Flávio se encantou com o Rio de Janeiro, para onde se mudou aos 19 anos e onde se formou em Letras, abandonando a paixão pelo futebol (ele foi jogador profissional). Atualmente, com 16 livros publicados, é professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Antes de embarcar para sua terra natal, Flávio falou desse estímulo à leitura.

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Devagar & Divagando

Entrevista concedida a Cíntia Borges, do site da Editora Rocco (Rio), julho de 2014

1 – Flávio, em seu trabalho de criação, a ideia surge rápida como a espontaneidade de uma criança, devagar como os passos de uma tartaruga, ou é preciso ruminar muito tempo antes de pôr as palavras ou os desenhos no papel?
A ideia de uma história costuma surgir do nada – ou a gente pensa que é do nada -, de repente, quando menos se espera. Mas é só a ideia, a semente da história. A história mesmo, inteira, demora a tomar corpo. E colocá-la no papel é um processo mais lento ainda, que requer muitas páginas jogadas fora. É um trabalho meticuloso, de reescrever mais do que escrever, de cortar e acrescentar, até que o texto final me agrade enquanto leitor. Só mando para a editora a história que eu, como leitor, gostaria de ler. Por isso o teste final é esse, o de responder “sim” à pergunta que faço, com meu próprio texto nas mãos: eu gostaria de ler isso, se fosse de outro autor?

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Literatura & Futebol

Entrevista concedida a Manoella Barbosa, para o Goethe Institut (São Paulo), fevereiro de 2014.

1) Flávio, comecemos com um poema de Carlos Drummond de Andrade:
“Futebol se joga no estádio? Futebol se joga na praia, futebol se joga na rua, futebol se joga na alma”
Você concorda com ele? Até que ponto e por qual razão?
Um dos motivos de o futebol ser um esporte tão popular, não só no Brasil mas mundo afora, é que ele pode ser jogado em qualquer lugar. Até em saguão de aeroporto já vi gente jogando bola, pelo menos até a hora de o segurança acabar com a brincadeira. E o terreno nem precisa ser plano, pode ser uma ladeira, uma calçada torta, uma subida de morro. Além disso, não é necessário nenhum material esportivo especial, joga-se com a roupa do corpo, descalço mesmo. Aliás, nem de bola você precisa! Quer dizer, bola de verdade, pode ser uma tampinha de garrafa, um pedaço de papel embolado. E, claro, jogando desse jeito, em qualquer lugar, em qualquer tempo – uma das melhores lembranças que tenho da infância é a de jogar bola na chuva – o futebol vai se estender para outros campos, invadindo a alma das pessoas.

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Bastidores de um romance policial

Publicado no Jornal Cândido (Curitiba), janeiro de 2012
Depoimento sobre o processo de criação do romance policial O Campeonato

Todo detetive é um leitor. O primeiro detetive de que se tem notícia na história da ficção policial, Dupin, criado por Poe em “Assassinatos da rua Morgue”, decifra o mistério aparentemente indecifrável lendo as notícias sobre os assassinatos publicadas nos jornais, e também, claro, lendo os signos não escritos – porque, como todo leitor, um detetive não lê apenas palavras.
Quando me veio a ideia de escrever um romance policial, a primeira coisa que pensei foi: vou criar um detetive que goste de ler. Não um leitor comum, imaginei algo mais radical – um leitor viciado em leitura. E viciado em leitura de romances policiais. Assim surgiu o narrador de O Campeonato, André, e o seu vício maldito, que o leva a perder um emprego atrás do outro, o último deles numa biblioteca (foi pego algumas vezes lendo escondido num canto qualquer, enquanto os usuários aguardavam atendimento).

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Entrevista com Flávio Carneiro

Jornal O Popular (Goiânia), 15/12/2011
Entrevista concedida a Ana Cláudia Rocha

A Ilha é uma ficção científica que encerra uma trilogia sobre o Rio de Janeiro. Por que o Rio de Janeiro?

Há uma razão afetiva e uma razão literária para ter escolhido o Rio. Cheguei com 18 anos, no início dos anos 1980, e encontrei uma cidade fascinante e acolhedora, mesmo com seus problemas. No Rio fiz amigos que estão ao meu lado até hoje, construí minha carreira, de professor e escritor, é portanto uma cidade decisiva na minha vida. E literariamente é uma cidade muito rica, com um repertório de histórias inesgotável, as do passado, recontadas em cada esquina, e as que se constroem a cada instante. O Rio é a cidade dos signos. Toda cidade é, mas nesta parece que isso é mais forte, talvez pela própria geografia, toda recortada e juntando mar e montanhas, ou pelo fato de receber pessoas de todos os lugares do mundo, ou ainda por ter sido ali que nasceu nossa ficção, com Machado, Alencar, Aluísio, cujas histórias você pode encontrar ainda, caminhando pela cidade.

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Quem escreve deve ter paciência

Jornal Pernambuco, novembro de 2010
Entrevista concedida a Cristhiano Aguiar.

Flávio, o que levou você a escrever o Leitor fingido? Você acha que a figura do “leitor” continua em segundo plano nas reflexões literárias?
Sempre achei que o ofício de escritor está diretamente relacionado a uma experiência de leitura. Não acredito em escritor que não lê. Nesse livro, quis falar um pouco disso, dessa dupla face da literatura: o escritor e o leitor.
As reflexões sobre a figura do leitor já foram mais escassas. Desde os anos 1970, na Alemanha, nos EUA e mais recentemente no Brasil esse quadro vem mudando e hoje já se pode falar em linhas de pesquisa consistentes sobre o tema da leitura. Mas acho que ainda pode melhorar, o leitor é parte fundamental da literatura e merece mais atenção por parte dos pesquisadores da área.

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A importância do leitor

Revista Conhecimento Prático: Literatura, nº 32, outubro 2010
Entrevista concedida a Rafael Rodrigues.

De que adianta que um livro seja escrito e publicado se não houver leitores? A trajetória de uma obra só se completa quando ela é lida. No entanto, há quem não se importe com os leitores. Na tentativa de corrigir essa injustiça, o escritor e crítico literário Flávio Carneiro faz do leitor o protagonista de seu mais recente livro, O leitor fingido, editado pela Rocco. Goiano de nascimento e carioca por opção, vivendo no Rio de Janeiro desde a década de 1980, o autor vem publicando de maneira sistemática suas obras de ficção e também as não-fictícias. Entre seus escritos de maior destaque estão os romances O Campeonato e A Confissão, o volume de ensaios No país do presente: ficção brasileira no início do século XXI e o livro de crônicas Passe de letra – Futebol e Literatura, uma coletânea de textos originalmente publicados no jornal Rascunho, de Curitiba. Na entrevista a seguir, Flávio Carneiro fala sobre a literatura e seus leitores.

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As possíveis relações entre escrever e ler

Jornal O Regional, 19/09/2010.
Entrevista concedida a Érica Bernardes.

Você costuma dizer que ler, assim como escrever, é uma arte. Como funciona isso? Existem artistas amadores, nesse sentido?
Ler é uma arte sim, embora diferente da arte de escrever. O produto final do artista escritor é o livro, é algo concreto, material. O produto final do artista leitor é a leitura, a interpretação do texto, ou seja, algo abstrato. Em ambos os casos, tanto na escrita quanto na leitura, é fundamental ter muita imaginação. E há, claro, artistas amadores quando se fala de leitura. É a maioria, aliás, aquele leitor que lê por prazer. E há os leitores profissionais, como o professor de literatura, por exemplo, ou o crítico literário.

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O leitor fingido

Jornal O Popular (Goiânia), 25/04/2010
Entrevista concedida a Rogerio Borges

O poeta é um fingidor. O leitor também?
Sim. Quando Fernando Pessoa, no poema já famoso, associa o poeta ao fingidor, está se referindo à capacidade do poeta de imaginar sobre o que é real (chega a fingir que é dor a dor que deveras sente), quer dizer, de lidar com o artifício (a arte) e ao mesmo tempo com a vida de cada dia. O leitor também vive nesse entrelugar, quando lê é levado a imaginar e muitas vezes a viver de novo – sempre de um modo diferente – coisas que já viveu e que agora retornam, pela mágica da literatura.

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Tentar o gol de cabeça

Jornal do Brasil, 25/04/2009.
Entrevista concedida a Alvaro Costa e Silva.

Neste bate-papo de arquibancada, suscitado pelo seu livro Passe de letra – que terá noite de autógrafos quarta-feira, a partir das 19h, na livraria Prefácio, em Botafogo – Flávio Carneiro fala de questões ligadas à literatura e ao futebol.

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Flávio Carneiro, o ponta direita que virou escritor

www.oglobo.com.br/blogs/prosa, 20/04/2009.
Entrevista concedida a Miguel Conde.

Antes de ser escritor, Flávio Carneiro era um promissor ponta direita. Aos 11 anos já jogava pelas divisões de base de clubes goianos, e aos 17 recebeu uma oferta de trabalho no Guarani de Campinas, que acabara de vencer o campeonato brasileiro.
A carreira esportiva parecia encaminhada, mas Carneiro resolveu apostar num caminho incerto: veio para o Rio de Janeiro estudar literatura, com a ambição de um dia virar escritor. Como exceção de um conto e um roteiro de curta-metragem, os dois jogos (da palavra e da bola) ficaram separados na sua vida, até 2007, quando ele começou a escrever crônicas mensais para o suplemento paranaense “Rascunho”.
Nelas, recuperou experiências de jogador e de torcedor, e arriscou analogias entre futebol e literatura ao identificar o lirismo do futebol de Garrincha, o humor de Dadá, e o épico em Pelé. Os textos foram reunidos no livro “Passe de letra – futebol & literatura” (Rocco), que acaba de ser lançado.

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Entrevista com Flávio Carneiro

Jornal Tribuna do Planalto (Goiânia), 24/08/2008.
Entrevista concedida a Raphaela Ferro.

Há quase 30 anos morando no Rio de Janeiro, o goianiense Flávio Carneiro já não se acostuma facilmente com a capital goiana. O tempo seco difere da umidade de Teresópolis, cidade carioca em que vive. Flávio, hoje crítico literário, pós-doutor, professor universitário e escritor consagrado, saiu de Goiânia aos 18 anos mais para viver novas experiências do que para fazer o curso de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), onde hoje é professor. Em entrevista ao suplemento Escola, o escritor relembra o primeiro incentivo vindo do pai e da mãe com a contação de histórias e a encadernação amadora de pequenas histórias reescritas por ele. Independente da faculdade, ele confessa que foi a vontade de ser escritor que o levou ao Rio de Janeiro. O jovem goiano se transformou em um escritor que habita diversas áreas da literatura. Ele já escreveu para crianças, jovens e adultos e é autor de novelas, romances e contos. Para o próximo ano, revela que pretende lançar um livro de crônicas sobre o futebol.

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No mundo das letras

Jornal O Popular (Goiânia), 05/11/2007.
Entrevista concedida a Renata dos Santos.

Flávio Carneiro é escritor, ensaísta, roteirista e professor de literatura brasileira da UERJ. Publicou vários livros, entre contos, romances, crítica literária, novelas para crianças e jovens. Ganhou prêmios literários como o Octavio de Farias, da União Brasileira de Escritores, na categoria melhor livro de contos, com a obra Da Matriz ao Beco e Depois (Rocco). Recentemente, seu romance A Confissão (Rocco) foi finalista do Prêmio Jabuti e do Prêmio Zaffari & Bourbon. Com o romance inédito A Distância das Coisas, venceu o Prêmio Barco a Vapor, o maior do País para ficção inédita voltada para crianças e jovens. Este goianiense falou ao POPULAR sobre literatura, a vida no Rio de Janeiro e sua ligação com a terra natal.

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Não faço críticas de autores ruins

Jornal Zero Hora (Porto Alegre), 28/08/2007.
Entrevista concedida a Cleber Bertoncello.

Flávio Carneiro, 45 anos, é escritor, professor de literatura, crítico literário e roteirista. Goiano radicado há muitos anos no Rio de Janeiro, ele ministra, dentro da 12ª Jornada de Literatura, o curso A ficção brasileira do início do século XXI, de hoje até sexta-feira, e participa hoje, às 19h30min, do debate Arte e Entretenimento, no Circo da Cultura. Ele foi um dos finalistas do Prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura.

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Entrevista com Flávio Carneiro

Site Armadilha Poética (www.armadilhapoetica.com.br), 15/02/2007.
Entrevista concedida a Aline Aimée.

Ficcionista, ensaísta e professor de literatura na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o goiano Flávio Carneiro é figura referencial no que diz respeito ao estudo da literatura contemporânea. Sua contribuição crítica é freqüente nos suplementos literários de diversos jornais e em revistas especializadas.
Em “No país do presente”, Flávio elege e explica o termo “pós-utópico” (usado originalmente por Haroldo de Campos) para designar a literatura produzida a partir da década de 80 – período carente do “princípio-esperança”, isto é, de um posicionamento contrário a certa postura ideológica. Ao contrário dos modernistas, que se opunham à aristocracia e à “mesmice burguesa”, ou da geração seguinte, que combatia o atraso político, a opressão e as desigualdades sociais, à literatura pós-utópica cabe a revisão crítica da utopia, bem como uma postura multifacetada que se atém ao presente em vez de tecer objetivos que almejem à transformação do futuro.
No plano ficcional, Flávio desenvolveu a modalidade policial e o romance fantástico, além de ter publicado cinco livros infanto-juvenis e escrito dois roteiros cinematográficos.
Saiba mais sobre o autor em www.flaviocarneiro.com.br

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Conversa com o escritor Flávio Carneiro

Revista Bula (www.revistabula.com.br), 27.02.2007
Entrevista concedida a Flávio Paranhos.

Flávio Carneiro nasceu em Goiânia, em 1962, e mudou-se para o Rio de Janeiro no início dos anos 80. Escritor, crítico literário, roteirista e professor de literatura, é um dos mais importantes autores dos anos 90. Em entrevista a Flávio Paranhos, ele fala de literatura, de cinema, de preferências, e não esconde a ligação afetiva com Goiás.

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Me escute, por favor

Jornal Rascunho. Curitiba, novembro de 2006.
Entrevista concedida a Rogério Pereira.

A declaração de Milton Hatoum na capa deste Rascunho (“O mundo, para mim, sem a literatura, viraria algo muito chato. Uma coisa sem sentido. Hoje, sem a literatura, não sei o que eu faria. Não faria nada. Seria um bestalhão.”) pode soar como um grande disparate para Flávio Carneiro, autor do recém-lançado A confissão. Doutor em literatura brasileira, esse goiano de 44 anos está longe de considerar a literatura uma das coisas mais importantes desta vida. Prefere o futebol. Parece ecoar como uma bela provocação. “Kafka dizia que a única coisa que lhe interessava era a literatura. Gosto de Kafka, mas não acho que a literatura seja a melhor coisa já inventada. Há coisas mais interessantes. O futebol, por exemplo”, diz com certa ironia. O gosto pelos gols e dribles em nada atrapalha a sua produção literária. Prova disso é a trama de A confissão – romance que o consolida entre os mais importantes autores contemporâneos brasileiros, ao lado do próprio Hatoum e de Cristovão Tezza, Miguel Sanches Neto e João Gilberto Noll, entre outros.
A confissão é uma história estranha. Suas boas doses de fantástico/mágico denunciam o apego de Flávio Carneiro a autores como Borges. Trata-se de um romance se sobrepondo a outro. Ou, então, de muitas histórias dentro de uma história. Uma espécie de roda permanentemente em movimento. A começar pelo protagonista, cujo nome não se sabe e que tem como primeiro objetivo contar uma história. Mas são muitas delas. Estranhas, engraçadas, tristes. Tudo num ritmo dos mais alucinados. Ao leitor, cabe embarcar nessas inúmeras viagens por um mundo estranho e sedutor. O protagonista – que durante muito tempo sobreviveu vendendo livros roubados – amarra uma mulher a uma cadeira e deseja lhe contar algo. A primeira frase do livro é: “A senhora me escute, por favor”. É também um convite ao leitor. Recomenda-se aceitá-lo.
A partir daí, somos conduzidos a situações que vão se misturando, se complicando um pouco mais, se resolvendo, sempre em busca de uma resposta. A mulher presa à cadeira e os leitores se perguntando: “Aonde tudo isso vai nos levar?”. A cada página aumenta a curiosidade para se desvendar o misterioso seqüestro. Quem é o estranho protagonista contador de histórias? Qual será o fim da indefesa senhora na cadeira? Com uma prosa segura e eficiente, o autor nos dá uma convincente resposta.
Nesta entrevista concedida por e-mail, Flávio Carneiro fala sobre sua literatura, sua atuação como crítico literário, a formação dos leitores, literatura policial e, quase nada, sobre futebol.

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Mosaico Literário

Jornal O Povo. Fortaleza, 05.11.2006
Entrevista concedida a Amanda Queirós.

Ela sobreviveu à cultura de massas, à cultura das mídias e à cultura digital. Desde seu surgimento, a palavra escrita se consolidou como um dos elementos culturais mais resistentes. Mesmo a contragosto das previsões mais catastróficas, que pregavam o seu fim com o advento dos veículos de massa e do apelo crescente da imagem, ela conseguiu driblar as especificidades de cada era. Com a popularização da internet, a palavra se vingou. Dessa forma, ela se transformou no suporte primordial das informações contidas na rede, ganhando ainda mais força ao contribuir para a livre troca de idéias e para revelar novos escritores.
Neste início de século, no Brasil, a palavra reproduz-se em forma de ficção, romanceada em contos ou novelas. Nesse universo, não há mais modelos a serem seguidos, escolas estéticas nas quais embasar as criações literárias. O experimentalismo toma conta dos textos. A criatividade está livre e o desafio não é desafiar a moral ou quebrar paradigmas, mas realizar, simplesmente, uma “obra de fôlego”.
Esse é diagnóstico do professor de literatura brasileira Flávio Carneiro, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Em 2005, ele lançou No País do Presente: Ficção brasileira no início do século XXI. O livro é um desdobramento da tese de pós-doutoramento do professor, realizada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). São 65 resenhas que percorrem a literatura produzida no Brasil entre 2000 e 2004, numa amostragem do que vem sendo realizado pelos escritores contemporâneos. O trabalho acaba servindo como uma bússola para aqueles que pretendem se orientar em um universo criativo cada vez mais difuso.
Afinal, ao mesmo tempo em que a internet ajudou a divulgar as obras de novos autores, ela também contribuiu para dispersar essa produção. Assim, a dificuldade em garimpar esses talentos permanece. No entanto, para o professor, isso é o de menos – as possibilidades de abordagem e penetração continuam sendo mais amplas. Apesar de não ter originado nenhum novo gênero literário, a rede proporcionou um novo olhar sobre as obras realizadas no País. Em entrevista por e-mail ao Vida & Arte Cultura, Flávio aponta a preferência nacional pelo romance e mostra-se otimista com a diversidade temática encontrada hoje no Brasil.

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Entre a ficção e a crítica

Jornal do Brasil, 27.06.2005
Entrevista concedida a Cláudia Nina

Professor de literatura brasileira da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), autor de ficção (O campeonato, Lalande, entre outros) e ensaísta, Flávio Carneiro é também um raro exemplo de crítico que consegue escrever para um público amplo, fora dos muros das universidades, sem com isso empobrecer o texto. Pelo contrário. Flávio não parece ter a pretensão de dificultar demais a leitura de suas resenhas só para parecer erudito. Nos textos críticos publicados nos suplementos literários do país, o autor revela grande capacidade de fazer a ponte entre o leitor e as reflexões teóricas nascidas muitas vezes em sala de aula. Uma seleção deste material foi reunida em No país do presente: ficção brasileira no início do século 21 (Rocco), desdobramento de uma pesquisa de pós-doutoramento e da atividade crítica regular de Flávio nas páginas dos jornais. São resenhas sobre obras de ficção brasileira publicadas nos últimos cinco anos, numa seleção que reúne tanto nomes já consagrados, como Rubem Fonseca, Luís Fernando Veríssimo e Nélida Piñon, como autores da nova safra, como Joca Reiners Terron, Adriana Lunardi e João Carrascoza. A introdução, intitulada ”Das vanguardas ao pós-utópico: ficção brasileira no século 20”, contextualiza os textos que seguem, todos sempre amparados por um sólido conhecimento literário. Para Flávio, ”uma das principais funções do crítico é apresentar a obra ao leitor de forma clara, precisa, buscando sempre um olhar original, um ponto-de-vista diferenciado, e também contextualizando a obra, dizendo que espaço ocupa no campo mais amplo da tradição e no panorama atual. Tudo isso ele pode conseguir na resenha”, diz.
Em No país do presente: ficção brasileira no início do século XXI. que também pode ser lido como um guia da literatura brasileira contemporânea, Flávio Carneiro consegue certamente muito mais do que isso. O livro é aula aberta a qualquer leitor que se dispuser a participar de um delicioso diálogo crítico.

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Ficção 21

Correio Brasiliense, 11.06.2005
Entrevista concedida a Sérgio de Sá
 
O professor, ensaísta e escritor Flávio Carneiro acaba de lançar No país do presente: ficção brasileira no início do século XXI (Rocco), uma coletânea de 65 resenhas de romances, novelas e livros de contos publicados entre 2000 e 2004, de autores novos e consagrados. Alguns dos textos apareceram anteriormente em jornais do país. Foram três as perguntas feitas ao autor.

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Literatura brasileira hoje

Estado de Minas, 28.05.2005
Entrevista concedida a Carlos Herculano Lopes

Resultado do desdobramento de uma pesquisa de pós-doutorado e de publicações críticas em jornais e suplementos literários nos últimos cinco anos, o escritor e professor de literatura na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Flávio Carneiro, acaba de lançar No país do presente: ficção brasileira no início do século XXI (Editora Rocco), no qual faz um balanço do que foi a literatura brasileira no século XX, e tenta mapear o que está sendo produzido atualmente. Para realizar esse trabalho, ele selecionou 65 livros de autores, gerações, regiões e estilos variados. “Quanto ao critério de seleção das obras que foram analisadas, não cedi a apelos midiáticos e tampouco levei em conta o nome do escritor”, afirma Flávio Carneiro, em entrevista ao repórter Carlos Herculano Lopes.
 

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Blogueiros na berlinda

Jornal do Brasil, 27.11.2004
Entrevista, concedida juntamente com Italo Moriconi, a Paula Barcellos

Está na moda discutir, tanto na academia quanto nos jornais – sem contar os inúmeros sites e blogs espalhados Brasil afora – a existência da chamada geração 00 de escritores brasileiros. Se ela existe ou não, se a nomenclatura ou o rótulo é contundente, só o tempo vai dizer. Mas é fato que há um grupo de jovens autores publicando seus livros, movimentando o marasmo da crítica e, principalmente, dando muito o que falar – e falando muito também.
Há aqueles que acham uma afronta a expressão ”literatura de blog” ou ”blogueiros”. Mas existiria definição mais pertinente para uma Clarah Averbuck, por exemplo? Pois bem, para não instigarmos apenas novos determinismos ou polêmicas infundadas e até cabotinas, convidamos os críticos literários e também escritores, Flávio Carneiro e Italo Moriconi, para um bate-papo sobre o que anda acontecendo na prosa brasileira contemporânea.

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Incursão pelo romance policial

O Popular, 18.08.2002
Entrevista concedida a Nádia Timm
“Cada livro é uma nova batalha”, diz Flávio Carneiro, por telefone. O escritor goiano vai lançar O Campeonato, terça-feira, na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro, onde reside há 20 anos. O seu primeiro romance policial também vai ganhar noite de autógrafos em Goiânia, na Fundação Jaime Câmara, no início de outubro. Com seis livros publicados e vários prêmiros, o autor, que começou a publicar aos 24 anos de idade, pontua, em entrevista a O Popular, questões ligadas à produção do romance policial no Brasil e no mundo. Professor de literatura, Flávio Carneiro, que não esconde a ligação afetiva com Goiás, fala sobre os rumos da literatura contemporânea e faz críticas aos livros de Paulo Coelho, agora imortal da Academia Brasileira de Letras. 

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