{"id":411,"date":"2019-05-31T11:35:44","date_gmt":"2019-05-31T14:35:44","guid":{"rendered":"http:\/\/flaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/?p=411"},"modified":"2019-05-31T11:35:44","modified_gmt":"2019-05-31T14:35:44","slug":"o-belo-do-outro-lado-da-vidraca-a-confissao-de-flavio-carneiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/flaviocarneiro.jiap.com.br\/wp\/2019\/05\/31\/o-belo-do-outro-lado-da-vidraca-a-confissao-de-flavio-carneiro\/","title":{"rendered":"O belo do outro lado da vidra\u00e7a &#8211; A confiss\u00e3o, de Fl\u00e1vio Carneiro"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"textodestaquevermelho\" style=\"font-size: 10pt;\">Lucas Magdiel<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt;\"><i>F\u00f3rum de Literatura Brasileira<\/i>, UFRJ, Rio de Janeiro, 2008 &#8211; <a href=\"http:\/\/www.forumlitbras.letras.ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.forumlitbras.letras.ufrj.br<\/a> <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">Ao se deixar levar pelo que sugere o t\u00edtulo do romance de Fl\u00e1vio Carneiro, \u00e9 prov\u00e1vel que o leitor desavisado suponha como alicerce da narrativa uma rela\u00e7\u00e3o confitente-confessor. Assim, imaginar\u00e1, segundo reza o sacramento crist\u00e3o da penit\u00eancia, o sujeito frente ao confession\u00e1rio, pronto a declarar seus pecados ao sacerdote. Se assim o fizer, n\u00e3o se equivocar\u00e1 totalmente &#8211; a rela\u00e7\u00e3o estabelecida \u00e9 essa, de fato, mas a cena a ser imaginada \u00e9 outra, at\u00edpica e, no m\u00ednimo, ins\u00f3lita, pois quem se confessa \u00e9 um seq\u00fcestrador, e o confessor, sua v\u00edtima. O confession\u00e1rio, um quarto num canto isolado do mundo, aresta do nada.<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">O narrador-confitente, an\u00f4nimo, \u00e9 mais que algu\u00e9m com vontade de contar uma hist\u00f3ria. Uma urg\u00eancia o impele, t\u00e3o visceral que se espraia nos deslimites da viol\u00eancia; uma viol\u00eancia necess\u00e1ria, mas cujo sentido \u00e9 inapreens\u00edvel. E o terror se instaura justamente na aus\u00eancia de motiva\u00e7\u00e3o vis\u00edvel: tendo a mulher seq\u00fcestrada \u00e0 sua frente, amarrada e amorda\u00e7ada, o seq\u00fcestrador-narrador promete uma madrugada insone, dilu\u00edda no tempo e no espa\u00e7o, que durar\u00e1 at\u00e9 que tenha consumado sua narrativa. Firme em suas inten\u00e7\u00f5es, revelar\u00e1 \u00e0 mulher, palmo a palmo, o papel que ela desempenha, sem saber, na trama de sua vida. \u00c9 esse detalhe, ali\u00e1s, que a torna o \u00fanico interlocutor poss\u00edvel, abrindo-se e fechando-se sobre ela o pr\u00f3prio ciclo narrativo, sendo ela a um s\u00f3 tempo o mist\u00e9rio e a chave para decifr\u00e1-lo. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">N\u00e3o espere portanto o leitor uma confiss\u00e3o de culpa, uma simples declara\u00e7\u00e3o de pecados por parte do confesso, e muito menos uma senten\u00e7a por parte do confessor. O peso da voz de quem narra se mede j\u00e1 pela primeira frase do livro: &#8220;A senhora me escute, por favor&#8221;. Na sutil imposi\u00e7\u00e3o do pedido n\u00e3o h\u00e1 margem de escolha. O outro &#8211; nessa condi\u00e7\u00e3o pouco importando se a mulher ou o leitor, ambos j\u00e1 capturados &#8211; ouve sim, mas a um eterno mon\u00f3logo, que n\u00e3o ousa romper, domado ambiguamente pela compaix\u00e3o e pela curiosidade, e, no caso da mulher, pelo medo em sua forma mais obscura. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">Se na aus\u00eancia da caracteriza\u00e7\u00e3o de um pecado o quadro ficcional foge da tipicidade da confiss\u00e3o, uma vez que pecado implica transgress\u00e3o de preceito religioso (estando embutida na palavra uma racionalidade teol\u00f3gica estranha ao texto), por outro lado se aproxima dela, na medida em que o relato que promete o narrador tem compromisso com a mais pura verdade. N\u00e3o uma verdade dada, fact\u00edvel, mas outra, velada, que cede lugar \u00e0 estranheza, ao fant\u00e1stico, ao extraordin\u00e1rio, de modo que mal se possam distinguir os \u00ednfimos contornos entre fantasia e realidade. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">Assim, o narrador, pronunciadamente borgeano, n\u00e3o busca uma raz\u00e3o, convencido de que a mat\u00e9ria de seu relato \u00e9 pessoal e singular, e que n\u00e3o se pode ouvi-la (ou l\u00ea-la) a partir dos fr\u00e1geis princ\u00edpios que assentam a realidade vis\u00edvel. Em se tratando de uma &#8220;hist\u00f3ria de sombras&#8221;, o pr\u00f3prio desejo de explic\u00e1-la, de dar-lhe um sentido racional &#8211; adverte o narrador &#8211; \u00e9 j\u00e1 uma viol\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">O narrador, em sua viagem autobiogr\u00e1fica (ou melhor, confessional) atrav\u00e9s do tempo de sua vida, mostra o percurso de um eu. Conta como aos dezenove anos, desempregado, subsistia precariamente, sem grandes talentos ou expectativas, com certa propens\u00e3o a fl\u00e2neur e ref\u00e9m de uma esp\u00e9cie de medo existencial a lhe emperrar o sorriso. \u00c9 uma subjetividade que vai se construindo a partir de recortes sobrepostos da mem\u00f3ria do narrador, cuja identidade \u00e9 forjada por meio de cenas entrecortadas do passado, em que desempenha um papel n\u00e3o protag\u00f4nico, mas passivo, diante da realidade e da pr\u00f3pria vida. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">A certa altura do relato, temos nitidamente o retrato de um sujeito insatisfeito, disperso, confuso, que busca a todo o momento uma alternativa \u00e0 pr\u00f3pria vida. O belo est\u00e1 fora de si mesmo: \u00e9 o outro quem tem a sensibilidade, o refinamento, a riqueza que ele n\u00e3o tem, mas que deseja ardorosamente possuir. Portanto, a busca do narrador, reiterada em seu relato, est\u00e1 calcada na tentativa de apropria\u00e7\u00e3o desse belo: quer apurar seu paladar grosseiro, quer refinar seu olhar restrito, quer descobrir os sentidos cobertos. Assim, diante desse desejo de sublima\u00e7\u00e3o, toda a mediocridade com a qual fatalmente se identifica lhe \u00e9 ofensiva, e dela, portanto, almeja se libertar. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">O belo est\u00e1 sempre encarnado no outro, nas experi\u00eancias, sonhos e mem\u00f3rias alheias; designadamente, das mulheres que cruzam o caminho de seu olhar itinerante. O feminino \u00e9 a figura\u00e7\u00e3o do belo e a nuca das mulheres (afirma o narrador saber l\u00ea-las), o espelho de sua identidade. \u00c9 atrav\u00e9s de um olhar perscrutador, voraz, que conhece Emma, personagem capital do romance, sendo dentre suas m\u00faltiplas e heterog\u00eaneas personagens femininas aquela que se constitui como o g\u00e9rmen primeiro da intensiva transforma\u00e7\u00e3o por que passa o narrador, que a certa altura se descobre ent\u00e3o portador de um poder impens\u00e1vel, capaz de reconfigurar sua vida e seu pr\u00f3prio ser.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">At\u00e9 os homens comuns t\u00eam momentos de ousadia. \u00c9 num desses momentos que o narrador, enquanto personagem anacr\u00f4nico de si mesmo, rompe a timidez e ousa abordar Emma (que at\u00e9 ent\u00e3o ignorava sua exist\u00eancia) \u00e0 porta de um desses restaurantes chiques da Zona Sul do Rio de Janeiro, e a convida para um almo\u00e7o, atitude que sup\u00f5e crucial para a guinada em seu destino, sem o que estaria &#8220;fadado para sempre \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de simples admirador, a passar a vida do lado de fora, olhando Emma pela vidra\u00e7a&#8221;. Isto \u00e9, Emma, aqui, \u00e9 precisamente a encarna\u00e7\u00e3o do belo, e a vidra\u00e7a, o que separa o mar do mergulho. A aproxima\u00e7\u00e3o e envolvimento entre os dois mostra-se uma fatalidade, sim, mas condicionada a um passo da vontade. E, a cabo, numa din\u00e2mica entre prazer e morte, no t\u00eanue fio que separa a vida da morte amorosa de Gautier, a rela\u00e7\u00e3o amorosa passa a ser, ent\u00e3o, o instrumento que possibilita assimila\u00e7\u00e3o do alheio no que este tem de mais pr\u00f3prio, singular e precioso (que tampouco se revele aqui o que \u00e9). <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">O fant\u00e1stico &#8211; sabe-o bem a fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea &#8211; empresta ao real as formas da imagina\u00e7\u00e3o, freq\u00fcentemente muito mais v\u00edvidas e significativas que aquelas apenas tang\u00edveis pela nossa raz\u00e3o. Da\u00ed termos no livro de Fl\u00e1vio Carneiro uma releitura do vampirismo, ficcionalmente aproveitada, mas tamb\u00e9m se estendendo para um ponto al\u00e9m da literatura, refletindo-a. A paix\u00e3o amorosa de Stendhal, em De l&#8217;amour, romance citado no livro, aparece transformada em condi\u00e7\u00e3o infeliz, em paix\u00e3o insaci\u00e1vel, que n\u00e3o pode ser apaziguada, esgotando-se o ser na aus\u00eancia de sentido, que o outro &#8211; nenhum &#8211; pode oferecer. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">Por isso, embora seja poss\u00edvel &#8211; e proveitosa &#8211; a leitura do romance de Fl\u00e1vio Carneiro apenas no \u00e2mbito da literatura de entretenimento, fica ainda \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do leitor um vasto campo simb\u00f3lico, imag\u00e9tico, pr\u00f3prio de uma literatura metatextual, reflexiva e, por que n\u00e3o, l\u00fadica, parodizante. E s\u00e3o v\u00e1rias as nuances no texto a indicarem uma vereda mais ampla de leitura. Assim, simbolicamente f\u00e9rtil \u00e9 o fato de ser o narrador um ladr\u00e3o de livros, isto \u00e9, que trafica livros, literalmente, das bibliotecas p\u00fablicas, universidades e livrarias, e os revende para comer e pagar o aluguel &#8211; a subsist\u00eancia prec\u00e1ria de que falamos. Diga-se literalmente referindo-se a uma outra leitura poss\u00edvel, metaf\u00f3rica, que diz da condi\u00e7\u00e3o do escritor contempor\u00e2neo, que, na rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua entre mercado\/arte, \u00e9 tamb\u00e9m, em certa medida, um h\u00e1bil traficante de livros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 1.4em;\">Confessa ainda o narrador o h\u00e1bito invulgar de ler os card\u00e1pios suspensos no exterior dos restaurantes chiques, a partir dos quais, baseado t\u00e3o-s\u00f3 nos sons evocados por um franc\u00eas a ele inintelig\u00edvel, procurava imaginar o desenho e as cores dos pratos ali nomeados e consagrados. E \u00e9 queixando-se de seu paladar grosseiro, ou de sua falta de ci\u00eancia, que n\u00e3o d\u00e1 valor a uma possibilidade outra de saborear, de experienciar &#8211; de ler, em sentido dilatado &#8211; pass\u00edvel de provocar, ainda que insuspeitadamente, atrav\u00e9s da imagina\u00e7\u00e3o, a mesma leveza e o mesmo sentido do belo associados \u00e0 degusta\u00e7\u00e3o do prato (ou, simbolicamente, ao destrinchamento do texto liter\u00e1rio).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">Um dos maiores m\u00e9ritos de Fl\u00e1vio Carneiro \u00e9 a h\u00e1bil costura de formas e sugest\u00f5es com a linha cir\u00fargica do sentido: a narrativa trata de um homem aparentemente comum, mais defin\u00edvel pelos seus defeitos que por suas qualidades: \u00e9 fraco, pregui\u00e7oso, grosseiro&#8230; Entretanto, n\u00e3o nos escapa uma caracter\u00edstica fundamental, inerente ao sujeito da narrativa: a inquietude, a insatisfa\u00e7\u00e3o &#8211; que \u00e9 o que lhe permite ao menos saber que n\u00e3o sabe. \u00c9 essa caracter\u00edstica, pouco sublinhada (por conta da pretensa subservi\u00eancia ao destino), que d\u00e1 sentido \u00e0 narrativa, desdobrada na voz de um sujeito partido em dois.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">Ora, disse Freud que &#8220;o homem feliz n\u00e3o fantasia jamais, s\u00f3 o insatisfeito&#8221;. A insatisfa\u00e7\u00e3o, nesse caso, serve t\u00e3o bem \u00e0 fic\u00e7\u00e3o quanto a realidade, possibilitando um deslocamento necess\u00e1rio \u00e0 vida. O artista, desde sempre um insatisfeito, procura ent\u00e3o preencher as lacunas da pr\u00f3pria vida com palavras. E tanto maiores as lacunas, mais espa\u00e7osas as palavras. Hauser entendia que, caso vivesse intensamente, o artista n\u00e3o precisaria falar de seus sentimentos e, nessas condi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mesmo lhe faltariam palavras. Mas a vida &#8211; ficcionalizando-se a si pr\u00f3pria &#8211; n\u00e3o \u00e9 intensificada em meio \u00e0s palavras? <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">Assim, essas afirma\u00e7\u00f5es, em vez de nos conduzir a uma encruzilhada em que o artista tem que escolher entre criar ou viver, explicitam a inten\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Carneiro, que faz viver o artista dentro do homem comum, numa rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel &#8211; mas n\u00e3o expl\u00edcita &#8211; do sujeito da narrativa com o pr\u00f3prio fazer liter\u00e1rio. Seria poss\u00edvel dizer mesmo que \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o dum viver radical em que as palavras n\u00e3o faltam &#8211; mas sobram, transbordam. O pr\u00f3prio mon\u00f3logo testemunha esse excesso. N\u00e3o reproduz a vida, e sim diz dela, como se fosse poss\u00edvel alhear-se e apropriar-se da multiplicidade de imagens, sentidos e pensamentos que a comp\u00f5em. <\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">Fl\u00e1vio Carneiro parece dizer, tamb\u00e9m, que a toda essa experi\u00eancia &#8211; vital e liter\u00e1ria &#8211; n\u00e3o pode faltar certa pureza. Pois h\u00e1 uma pureza que nunca se esgota, a saber, a pureza da arte, a partir da qual a experi\u00eancia humana sempre se renova. Afinal, n\u00e3o ser\u00e1 a arte como os olhos da prostituta, &#8220;mantendo-se castos a cada investida de cada desconhecido, noite ap\u00f3s noite, na penumbra, os vultos se sucedendo em fila enquanto as retinas guardam consigo, a sete chaves, seu pequenino segredo&#8221;? Como dizia Fernando Pessoa, a literatura, como toda arte, \u00e9 uma confiss\u00e3o de que a vida n\u00e3o basta. De fato, a transbordamos. E h\u00e1 muito deixou de ser pecado tal transbordamento.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"marg\" style=\"font-size: 10pt;\">Por fim, uma mirada atenta no narrador de A confiss\u00e3o o irmana com Funes, o memorioso, ou Marco Flam\u00ednio Rufo, o imortal, ambos personagens de Borges. Os tr\u00eas t\u00eam em comum o des\u00e2nimo, o cansa\u00e7o, o t\u00e9dio da vida, quando, numa culmin\u00e2ncia do destino, s\u00f3 lhes cabe instaurar discursividade a partir de suas mem\u00f3rias sobrecarregadas de experi\u00eancias. No caso de nosso an\u00f4nimo confitente, s\u00f3 ao final da narrativa nos \u00e9 revelada sua escolha: n\u00e3o o sobre-humano, o extraordin\u00e1rio, mas a fraqueza humana, sua mis\u00e9ria, e o cotidiano ordin\u00e1rio de sobressaltos imprevis\u00edveis. A confiss\u00e3o sacramenta, assim, o limite da mortalidade. Mais: declara a culpa do homem, sem atenuantes. E a viol\u00eancia, esse excesso, porta de entrada e sa\u00edda de nossa triste condi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Magdiel F\u00f3rum de Literatura Brasileira, UFRJ, Rio de Janeiro, 2008 &#8211; www.forumlitbras.letras.ufrj.br Ao se deixar levar pelo que sugere o t\u00edtulo do romance de Fl\u00e1vio Carneiro, \u00e9 prov\u00e1vel que o leitor desavisado suponha como alicerce da narrativa uma rela\u00e7\u00e3o confitente-confessor. 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